sábado, 13 de novembro de 2010

Mel - Primeiros Segredos

1.

 27 de Julho

Bom, sou Mel (Melissa), ganhei este diário de mamãe hoje pela manhã. Ela disse que seria bom eu me abri com alguém para quem sabe ser menos agressiva e olha que nem sou agressiva. Hoje é meu aniversário, completei 17 anos e tudo que minha mãe me dá é um diário para que eu deixe de ser agressiva? Isso é tão patético.
Para uma primeira página de uma coisa que nunca escrevi na vida, acho que isto já esta de bom tamanho, esta tarde, tenho que dormir por que ultima semana ou não, amanhã tem aula. Sim é estranho por que estamos em Julho, então culpem o governo.






No segundo semestre eu finalmente consegui um emprego, então tive de começar a estudar a noite. Não foi um problema, logo fiz amigos e eu já conhecia algumas pessoas também, mas fiquei muito próxima mesmo foi de duas garotas com as quais já tinha estudado no primário. Nicole, uma garota baixinha de cabelos longos e loiros, olhos castanhos e vivia reclamando por ser a única da família com olhos escuros e suas irmãs tinham olhos verdes. E Mirella, uma garota alta de cabelos curtos enrolados e negros como a noite e olhos azuis como o céu em um dia de verão.
Tudo estava dentro do que chamo de ‘normal’ até então.
Eu estava no ponto de ônibus esperando minha carona para ir para aula e como já era de costume, atrasada, tudo bem, pontualidade nunca foi meu forte. Em frente ao ponto de ônibus, do outro lado da rua há uma esquina, e na calçada uma placa de pare. Foi então, presa nos meus pensamentos, sem prender muito o olhar em qualquer ponto específico que vi uma coruja, muito bonita por sinal, empoleirada encima da placa.
Quando olhei para ela, percebi que os olhos da ave estavam fixados nos meus, ela abriu as asas e de forma sincronizada o bico se abriu soltando algo que meus ouvidos captaram nitidamente como ‘você demorou muito. Já esta atrasada sabia?’ Meu Deus, eu devia estar ficando louca, sei que nunca fui um modelo de normalidade, mas achar que uma coruja surpreendentemente grande e bonita havia falado comigo, daí já é demais até para mim.
Ainda submersa em meu pânico momentâneo e tentando não acreditar em qualquer coisa, sim qualquer coisa que tenha ocorrido ali, percebi que a minha carona estava se aproximando. Ah, minha válvula de escape.
Como já era de se esperar, quando cheguei a escola a professora de português, Sra. Still, já estava na sala. No momento, nem consegui prestar atenção nos olhares que me seguiam enquanto eu atravessava a sala, geralmente eu entraria e cumprimentaria a todos com um sorriso, mas eu não conseguia pensar em nada, nada com coerência pelo menos, eu só queria encontrar uma resposta, e eu simplesmente não estava conseguindo encontrá-la. Segui meu caminho através da sala, eu queria estar logo junto com minhas amigas. Onde elas estavam? No fundão é claro.
Minha cabeça girava, como se alguém tivesse me dado uma pancada muito forte ou eu tivesse tomado uma garrafa de vinho inteira sozinha. Eu só sabia repetir milhões de vezes a mim mesma: ‘Eu estou louca. Eu estou louca. Eu estou louca’.
Ta, tudo bem. Confesso que já li e que também são os livros que mais gosto, os de trilogias como Harry Potter, House of Night, Saga Crepúsculo e Vampires Diares. Mas na boa, colocar isso assim na minha vida é muita pressão psicológica. Epa será que eu estou bêbada? Ta, já sei, eu to dormindo. Iludidinha era isso que eu realmente estava, iludindo a mim, me negando a própria realidade.
Quando cheguei até elas, seus olhos arregalados de espanto me surpreenderam. Teriam elas ouvido corujas falantes também?
- Mel, você se sente bem? – A pergunta feita por Mirella era visivelmente repetida nos olhos de Nicole também.
Antes de responder percebi que Natan e Matteo (dois garotos do time que andavam conosco) estavam igualmente perturbados. Eu queria lhes contar o que aconteceu, queria mesmo, e rápido, antes que meu cérebro torrasse com toda aquela pressão que lhe estava causando uma batalha interna das grandes. Mas além de chegar atrasada, algo parecia dizer a todos que bem, definitivamente era uma coisa que eu não estava. Além de meus amigos, a classe toda me olhava de um jeito bem estranho, então o jeito era disfarçar. Ora, eu já estava com medo demais para contar apenas aos meus amigos, imagina para uma classe inteira. Não, obrigada, dispenso emoções como esta (risos internos).





Galera vou continuar postando diariamente. Deixem opniões.
Beeijos

2 comentários:

  1. Muito bom o texto.
    Fico surpreso com cada novo blog que eu posso conhecer!
    Acredito no poder que as palavras exercem sobre o mundo e mais que isso, sobre os olhos que os lêem.
    Abuse deste espaço; faça dele seu caderno de rascunhos. Pois o que mais nos devem interessar são os rabiscos e não as obras prontas.

    Bons ventos para nós...

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